Cientistas criam cabo que liga cérebro a computador

Cientistas da Universidade de Michigan acabam de apresentar um cabo muito fino capaz de ‘ligar’ diretamente o cérebro humano a um computador. O dispositivo é tão preciso que pode mesmo conectar-se a células individuais. O estudo está publicado na «Nature Materials».

O cabo é um filamento de carbono revestido de plástico de modo a que os sinais elétricos dos neurônios não provoquem interferências indesejadas. Numa das pontas, está impregnado com um gel cuja finalidade é a acoplar-se perfeitamente às membranas das células cerebrais e transmitir e receber delas sinais eléctricos. O outro extremo está conectado a um computador para que os sinais que o cérebro emite chegam diretamente à máquina com grande clareza.

O elétrodo, explica Nicholas Kotov, um dos cientistas que desenvolveu o dispositivo, tem um diâmetro aproximado de 0,007 milímetros, muito menos do que os anteriores. Além deste ser mais preciso, pode conectar-se a qualquer tipo de dispositivo, por exemplo, a uma prótese.

Os impulsos elétricos viajam através do cérebro por movimentos de íons ou átomos com cargas elétricas, e os sinais movem-se através do gel da mesma maneira.

Do outro lado, a fibra de carbono responde aos íons movendo elétrons que traduzem eficazmente o sinal do cérebro para a linguagem dos dispositivos eletrônicos.

O cabo foi já testado em ratinhos e teve bons resultados. No entanto, os autores do artigo esclarecem que ainda não está pronto para ser utilizado em seres humanos.

O cabo foi já testado em ratinhos e teve bons resultados. No entanto, os autores do artigo esclarecem que ainda não está pronto para ser utilizado em seres humanos.

Quando estiver, vai contribuir para revelar numerosos mistérios sobre o cérebro e o seu funcionamento, entre eles a forma como os neurônios comunicam entre si ou o traçado exato das ‘autoestradas’ que cruzam o cérebro transportando a informação que este processa continuamente.

 Um dos maiores problemas ainda por resolver é o tempo de ‘validade’ do elétrodo. Para que possa ser utilizado, por exemplo, numa prótese, o cabo deverá resistir durante anos sem degradar-se. Até agora, os testes duraram apenas seis semanas. Desconhece-se, por isso, como poderá evoluir em períodos longos.

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